domingo, 24 de maio de 2015

CLARO QUE EXISTEM MULHERES MACHISTAS

No post sobre dois professores que agiram mal, um dos casos era o de um catedrático de Direito da PUC RS que disse que "as leis são como as mulheres, devem ser violadas". O pior é que houve uma manifestação com maioria de alunas mulheres para defendê-lo.
O fato ocasionou uma discussão na caixa de comentários sobre se existem ou não mulheres machistas, ou apenas validadoras do machismo, ou apenas vítimas do machismo, ou apenas mulheres que internalizaram e reproduzem o machismo. Acompanhe aqui os melhores momentos:

"Me desculpem, mas mulher que chama a outra de 'vagabundinha' não precisa de 'acolhimento' e 'educação' merda nenhuma." (Raven)

"Esse papo de que não existe mulher machista já deu né? 
Gostaria que me explicassem como as moças que defenderam o professor, a ponto de pateticamente terem adotado bigodes fakes e criado a #somostodosAzambuja são vítimas e estão 'apenas' reproduzindo o machismo por serem pobres almas desavisadas. 
Eu entrei no evento para ver qual era e me deparei com uma série de moças brancas, bonitas, no padrão de beleza vigente, inteligentes, e que cursam uma faculdade particular de direito.
Vi essas mesmas moças silenciando várias garotas que aderiram ao protesto contra o professor e desqualificando as denúncias dizendo que 'era coisa de quem não tinha prestado atenção na aula'. 
Vi as mesmas garotas deixarem homens me atacarem (coisa do tipo como você é advogada e escreve errado na internet hahaha). 
Então desculpa, mas as moças aí não são vítimas do machismo, são a causa do dito. São as modelos do patriarcado que servem para homens dizerem 'viu, se elas não se importam, vocês também não deveriam se importar'". (Samantha)

"As moças são também vítimas, elas estão numa Síndrome de Estolcomo pensando que ficar do lado do opressor será menos pior; algumas mulheres acham melhor ficar ao lado dos homens se auto oprimindo ao invés de se ajudarem." (D Stoffel)

"Bom, já expressei meu incômodo com isso de 'mulher machista' vs. 'mulher que reproduz machismo'. 
Compreendo que todas, cedo ou tarde, vão ser massacradas pelo machismo. O que essas mulheres fazem é dar um tiro de morteiro no pé. 
Mas de 'boinha' -- elas não merecem chazinho (só se for de cicuta, como disse a Raven) nem abraço. Tomar esse tipo de atitude é ser condescendente com o mal que elas causam. O machismo delas é tão destrutivo quanto o machismo vindo dos homens.
Além do mais, é muito fácil falar em abraços quando não se foi/é vítima por anos a fio de uma machista." (Jane Doe)

"'Ah para né! Pra mim essa papinho de 'mulher só reproduz o machismo' é só conversinha pra tirar o delas da reta'.
Então me explique como uma 'mulher machista' se beneficia de alguma forma com o machismo?
É como um negro achando que tem benefício com a escravidão, e servindo de 'capitão do mato' para o seu 'dono', que jamais vai vê-lo como um igual, mas sim como um inferior útil.
O feminismo deve sim procurar abrir os olhos dessas mulheres, e não julga-las, 'pondo o delas na reta', seja lá o que isto queira dizer.
Enquanto nos dividimos em 'mulheres machistas' e 'mulheres não machistas', os verdadeiros inimigos machistas se beneficiam de nossa divisão, nos iludem com bobagens românticas heteronormativas. 
Devemos unir esforços para desconstruí-los, e como biologicamente não podemos deixar de co-exitir com eles, pelo menos, podemos torná-los mais humanos". (Anon)

"Anon, esse argumento de 'não existe mulher machista porque ela não se beneficia do machismo' não é bom. Primeiro que vc não precisa se beneficiar de algo pra ser algo. Muita gente é e faz coisas que vão contra elas mesmas por ignorância. Segundo que há, sim, mulheres que se beneficiam do machismo. Uma mulher que quer ser avaliada apenas pela sua aparência, por exemplo, poderia estar se beneficiando do machismo, pelo menos a curto prazo. 
Temos que combater sistemas -- machismo, racismo, homofobia, transfobia --, não pessoas. E não há divisão entre mulheres machistas e não machistas. As mulheres são 'divididas' em várias outras categorias. E, pra uma corrente que diz que 'não se deve julgar mulheres', o que mais vejo feministas radicais fazendo é julgando mulheres (e homens também). E não estou só falando de mulheres trans..." (euzinha)

"Sobre dividir mulheres em machistas/não machistas, só penso o seguinte:
Eu sei que tem muita mulher que fala/faz bosta machista. Mas enquanto outras ficam apontando que 'tem mulher tão machista quanto homem', os homens em geral passam pano pra todas as merdas que os outros fazem/falam. Isso pelo menos a gente tinha que aprender com eles.
Não acho que essas moças aí do protesto a favor do professor merecem chazinho e abraço, mas nem perderia tempo brigando com elas por causa do machismo, porque eventualmente mulher se ferra só por ser mulher, machista ou não. Quer aprender sobre feminismo ok, não quer, eu sigo em frente. Mas eu não aponto o dedo pra mulher porque acho que estamos todas no mesmo barco, no fim das contas. 
E só para esclarecer, não estou aplaudindo o machismo vindo das mulheres, só acho que se for pra brigar, melhor brigar com quem me oprime. Novamente: isso vale para mim, não estou querendo mandar no comportamento de ninguém." (Bizzys)

"'É muito fácil falar em abraços quando não se foi/é vítima por anos a fio de uma machista.'
Que frase...QUE FRASE. Se alguém aqui ainda acredita nessa lenga-lenga de 'mulher só reproduz machismo', essa frase pra mim já exemplifica muita coisa." (B.)

sábado, 23 de maio de 2015

HINO MACHISTA NOS JOGOS UNIVERSITÁRIOS, AGORA TAMBÉM NO NORDESTE

Uma aluna da Univasf (Universidade Federal do Vale do São Francisco, que tem campi em três Estados: Pernambuco, Bahia e Piauí) me mandou este email ontem:

Sou aluna do curso de Psicologia da Univasf e o que relatarei agora é a história contada pela minha perspectiva. Peço para que investiguem e noticiem o ocorrido no intuito de pressionar a minha universidade a tomar as devidas medidas, bem como o Ministério Público, que já foi acionado por mim e outras colegas, mas que ainda não se manifestou.
Na penúltima sexta-feira, na abertura dos jogos estudantis da Univasf, membros da Atlética de Medicina, vestidos com as cores dessa organização, distribuíram hinos machistas e violentos e os cantaram com o acompanhamento de um grupo de percussão, direcionando o hino para o curso adversário. 
Letra inteira. Clique p/ampliar
As letras falavam que as meninas do curso adversário eram “fodidas” pelos futuros médicos e tinham bigodes e corrimento -- uma agressão violenta e ofensiva, além de desnecessária. 
O fato rapidamente causou imensa indignação no Facebook, em especial na página Grande Família Univasf, mas em reunião do Diretório Acadêmico de Medicina, aberta apenas aos alunos do curso, houve a decisão de não identificar os responsáveis da Atlética (cujos membros são parte do próprio Diretório Acadêmico) e a exigência de um pedido de desculpas aos que relacionaram a própria Atlética com o ocorrido nas redes sociais.
Embora o reitor tenha afirmado que iria averiguar o assunto, o coordenador do curso não se posicionou oficialmente sobre o ocorrido. Até agora nenhum responsável foi identificado. A impunidade hoje alcança uma semana, com deboches nas redes sociais pelos membros da Atlética. 
Enfim, como mulher, me sinto extremamente humilhada, sobretudo pela falta de ação dos que poderiam identificar (ou já sabem quem são, no caso do DA) os culpados e garantir o fim dessa agressão. Envio o hino e uma pequena matéria sobre o assunto, talvez a única que tenha sido escrita. Este caso precisa de repercussão.

Meu comentário: Hinos machistas, racistas e homofóbicos são comuns em jogos universitários do sul e sudeste, onde os trotes costumam ser muito mais violentos e humilhantes que em outras regiões no país. Sabemos que em alguns estados essa cultura da humilhação é mais frequente que em outros. E também sabemos que alguns cursos, quase sempre os mais elitistas, como Medicina, são aqueles que mais "capricham" na violência. 
Só pra lembrar: ano passado um hino "histórico" da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto só caiu em desuso porque o Coletivo Negro do campus o denunciou. O hino, que era cantado em jogos universitários e festas, falava de "preta imunda" (a letra é esta ao lado). O grupo responsável pelo hino se justificou: não era racismo, era tradição. Era um hino dos tempos em que "racismo e preconceito eram comportamentos corriqueiros". 
Porque deixaram de ser, né? Não tem mais isso.
Óbvio que ainda existe muito preconceito nas universidades do Norte, Centro-Oeste e Nordeste, mas os trotes violentos, que causam mortes e estupros (tantos que a Câmara de SP dedicou uma CPI aos casos), não são frequentes. E não os queremos nas nossas universidades. Por isso, é preocupante e lamentável que uma atlética, criada para organizar jogos e atividades esportivas, ache que seu dever é compor, cantar e espalhar hinos misóginos. 
O Núcleo da Marcha Mundial das Mulheres Sertão lançou uma excelente nota de repúdio ao hino. Pra piorar ainda mais a situação, o mesmo campus da Univasf em Petrolina, PE, foi palco de um feminicídio há três semanas. Rosilene Rio, uma estudante de enfermagem, foi morta a facadas pelo ex-companheiro no horário de almoço dentro do restaurante universitário. Diz a nota do núcleo:
Leia a nota inteira aqui.

Em fevereiro, o Mulheres do Sertão já tinha organizado um ato contra a violência. Uma professora de enfermagem da Univasf, também em Petrolina, foi brutalmente agredida pelo ex-namorado na própria casa, na frente de sua filha de 6 anos.
Enquanto mulheres lutam para combater a violência machista que mutila e mata, um grupo de estudantes acha graça em entoar cantorias que dizem "Fudendo com as putas e quebrando os cuzão! É Med!" E tudo em nome da "integração". 
Temos que ser intolerantes mesmo com essa misoginia: não passarão!

sexta-feira, 22 de maio de 2015

MENINA ESTUPRADA NA ESCOLA E OS ABUTRES DE SEMPRE

Estou sem tempo, pra variar, e detesto escrever sobre o óbvio, motivo pelo qual ainda não me pronunciei sobre o terrível caso de uma menina de 12 anos que foi estuprada dentro da escola por três garotos com idade próxima à dela (pelo que vi, entre 13 e 14 anos). 
O caso -- que corre em segredo de Justiça -- aconteceu na Escola Estadual Leonor Quadros, zona sul de SP, no dia 12, mas só virou notícia nos últimos dois dias. Só pra resumir: a menina foi tomar água no bebedouro quando recebeu uma gravata de um dos meninos, que a arrastou até o banheiro masculino. Lá, outros dois garotos já estavam esperando. Os três a estupraram.
Ela foi levada a um hospital, que comprovou os estupros. Ao contar para a família o que aconteceu, a menina pediu desculpas. Sentia-se culpada, como é comum com vítimas de violência sexual. Pelo jeito, a escola demorou a agir, porque deu tempo para que um dos suspeitos fugisse com a família. Um deles já confessou, outro negou. Este entrou em contato com a menina no Facebook, e lhe disse que podia provar que não esteve envolvido. 
A menina respondeu pra ele que estava se sentindo "um lixo": "Vocês acabaram comigo. Infelizmente, eu nunca mais vou esquecer isso. Não minta para você mesmo". 
O Ministério Público Estadual vai pedir que os três adolescentes sejam internados na Fundação Casa. 
A imprensa vem dando bastante repercussão ao caso e por enquanto, pelo pouco que acompanhei, vem agindo corretamente. Num caso ocorrido há alguns anos em Florianópolis, em que meninos dessa idade estupraram uma garota (não na escola, mas no apartamento de um deles, filho da família dona da RBS, maior grupo midiático do sul do país), houve divulgação de nomes e fotos dos envolvidos, o que é proibido por lei.
No entanto, o Jornal Nacional fez uma reportagem tendenciosa, falando do atendimento a vítimas de violência sexual num hospital paulistano. O hospital recebe quase sete pacientes por dia, e em 45% dos casos, a vítima tem menos de 11 anos de idade. Isso tudo é verdade, mas, o noticiário da Globo não explica que nenhum desses casos acontece numa escola, e que a enorme maioria é cometida por adultos (geralmente pelo pai ou padrasto da vítima). 
Ao juntar esses dados ao estupro na escola, o Jornal Nacional dá a entender que crianças e adolescentes são quem cometem violência -- e não que crianças e adolescentes são vítimas de violência por parte de homens adultos.
Obviamente, tanto a Globo quanto os outros grupos midiáticos têm uma agenda: reduzir a maioridade penal. Grande parte da população embarca nessa canoa furada e apoia, achando que a medida vai de fato alterar os índices alarmantes da violência no país (aliás, recomendo fortemente este texto, que pede para pararmos de tentar combater violência com mais violência e traz este dado: entre 2011 e 2012, 80% dos homicídios no Estado de SP foram causados por motivos fúteis -- brigas de trânsito, de rua, entre vizinhos etc --, sem envolvimento com ação criminosa. "Mortes que poderiam ter sido evitadas com menos ódio", lembra o autor).
A maioridade penal ainda nem foi reduzida para 16 anos e já querem baixá-la para 13 anos. Quando surgir um caso de um menino de nove anos que matou, estuprou ou assaltou alguém, pedirão pena de morte para crianças de nove anos
Eu disse que não gosto de falar de casos óbvios, e este caso do estupro coletivo na escola é óbvio. Toda a minha solidariedade à menina. E quero que os meninos sejam punidos. Quero também que entendam a gravidade do que fizeram e que sejam reabilitados, para que nunca mais façam isso novamente. Ser contra a redução da maioridade não tem nada a ver com defender a impunidade. Eu defendo a punição desses meninos, e ficar internado durante anos numa instituição que está muito longe de ser uma colônia de férias parece ser uma punição bem adequada (mas que dificilmente reabilita).
Só que é mais produtivo debater soluções a longo prazo, ao invés de querer vingança para cada caso pontual. O problema é muito maior que esses três garotos estupradores. E deve ser enfrentado como um problema de toda a sociedade. 
Que tal, em vez de xingar meninos e ativistas de direitos humanos (que, de acordo com uma parcela da sociedade, são tão culpados como quem comete o crime), ter uma discussão sobre o que leva garotos a acharem normal estuprar uma colega? 
Vamos pensar: o que seria mais eficaz para que meninos passassem a ver meninas como seres humanos, e não como objetos? Prisão perpétua, castração e pena de morte para esses garotos, ou aulas sobre questões de gênero nas escolas? Punição ou educação?
Pra mim a resposta parece um tanto óbvia.

37 ANOS, MUITO VELHA PARA SER PAR ROMÂNTICO DE UM ATOR DE 55

Meu querido Flavio me enviou a tradução de um artigo de Ben Child que saiu ontem mesmo no jornal britânico The Guardian
Eu já escrevi sobre essa ridícula imposição da diferença da idade. E tem tudo a ver com o vídeo hilário sobre o último dia em que Julia Louis-Dreyfus é considerada bonita o suficiente para transar. 

Maggie Gyllenhaal, aos 37 anos, era “velha demais” para um papel ao lado de um homem de 55 anos.
Hollywood se encontra sob escrutínio cada vez maior por sua incapacidade de representar mulheres de forma justa nas telas.
Um produtor de Hollywood disse a Maggie Gyllenhaal que ela, aos 37 anos, era muito velha para interpretar o par romântico de um homem de 55 anos.
Em uma entrevista para The Wrap, Gyllenhaal disse que o choque de se encontrar “acima da idade” aos 30 e poucos anos foi seguido de escárnio, dada a natureza farsesca da situação.
“Há coisas que são realmente desalentadoras em ser atriz em Hollywood e que me surpreendem o tempo todo”, disse ela. “Tenho 37 anos e me disseram que eu estava muito velha para interpretar o amor de um homem que tinha 55. Foi espantoso para mim. Isso me fez me sentir mal, e em seguida zangada, e aí me fez dar risada”.
A prática lugar-comum de escalar uma mulher muito mais jovem para contracenar com um homem muito mais velho tem sido predominante desde a era de ouro de Hollywood: Kim Novak tinha a metade da idade do cinquentão James Stewart durante as filmagens de Um Corpo que Cai, de 1958.
Recentemente o novo filme de James Bond, Spectre, recebeu elogios (nem tanto da própria atriz, que disse: "Pensei que iria substituir Judi Dench") por escalar Monica Bellucci, 50 anos, para contracenar com Daniel Craig, 47 anos. Ainda assim, as outras duas “Bond girls”, Léa Seydoux e Stephanie Sigman, estão na faixa dos vinte, e a prolongada saga do espião também tomou como hábito fazer 007 ter como interesse afetivo mulheres com metade de sua idade. 
Roger Moore, então com 57 anos, contracenou com Tanya Roberts, que tinha 29 anos na época, em sua última encarnação como Bond, em 007 Na Mira dos Assassinos, de 1985.
David Oyelowo recebe instruções de
Ava DuVernay durante filmagens de
 Selma
Entretanto, Hollywood está sob crescente observação em 2015 por sua incapacidade de representar mulheres de forma justa, nas telas e fora delas. No início deste mês a American Civil Liberties Union anunciou que iria exigir que agências estaduais e federais investigassem porque os grandes estúdios repetidamente fracassam em contratar tanto diretoras aspirantes quanto experientes para fazer filmes, citando a “discriminação desenfreada” na indústria. 
Enquanto isso, um relatório do Centro de Estudos das Mulheres em Televisão, Filmes e Novas Mídias da Universidade de San Diego descobriu que atrizes tiveram apenas 12% dos papeis principais nas 100 maiores bilheterias domésticas de 2014. [Em janeiro eu citei a Ms. pra afirmar que não existe outra indústria nos EUA que seja tão excludente com mulheres. Até mineração de carvão tem mais mulher que Hollywood tem diretoras].
No começo da semana, no Festival de Cinema de Cannes, os realizadores do thriller de combate ao tráfico Sicario revelaram que, em certo momento, foram pressionados pelos produtores a reescrever o papel principal, de uma agente do FBI interpretada por Emily Blunt, para que fosse um homem. 
E pesquisa do ano passado descobriu que somente 22% dos membros de equipes envolvidos na realização de 2000 das maiores bilheterias dos últimos 20 anos eram mulheres.
Gyllenhaal disse à The Wrap que, apesar de sua experiência recente -– ela não revela o nome da produção ou do ator mais velho -– ela permanece esperançosa que Hollywood lentamente irá se tornar um lugar melhor para as mulheres trabalharem. “Muitas atrizes estão fazendo um trabalho incrível agora, interpretando mulheres reais, complicadas”, disse ela. “Não quero me sentir desesperançada, de forma alguma. E espero com otimismo por algo fascinante”.